Olá...
Dando uma vasulhada no Jornal da Ciência 4444 de hoje, 28/02/2012, me deparei com a reportagem abaixo sobre Ensino à Distância. Ela aborda várias questões importantes de serem refletidas sobre o assunto que, por sua vez, desperta muitas posições quase que fundamentalistas daqueles que defendem o ensino presencial ou posições extremamente otimistas daqueles que a defendem.
Mas me chama a atenção, numa certa altura da reportagem, a questão da autonomia dos alunos em relação ao processo que envolve sua própria aprendizagem. Uma professora da FEA/USP citada aponta que temos o que chamou de “cultura de sala de aula” muito forte onde o aprendizado do aluno está centrado no professor e que nossos alunos não estão madutos para o EaD pois não possuem uma cultura de autonomia de estudos.
Então penso há algo de errado com a forma de conduzir o processo de aprendizagem de nossos alunos. E os professores podem estar dando efetiva contribuição para que essa situação seja mantida, na medida que reproduzem tal modelo e também porque não possuem a dita autonomia de estudos. Claro que não culpo-os exclusivamente. Existem outros atores nesse cenário que dão sua contribuição para o todo da culpa.
O fato é que a discussão sobre o EaD remete a muitas outras que carecem de amadurecimento e debate. O da autonomia de estudos de professores e alunos é uma delas.
Parte da reportagem está transcrita abaixo. E abaixo também está o link para leitura completa dela.
Até breve...
Tecnologia democrática
Mais velhos e pobres que alunos de cursos presenciais, matriculados no ensino a distância já são 15% do total de universitários do País.
Primeiro dia de aula. Nada de professor, trote ou cabeça raspada. Lugar? A sala de um hotel no centro de São Paulo. Oito horas de sábado, 11 de fevereiro. Os 31 calouros do curso a distância de Administração da Faculdade Aiec foram conhecer a estrutura da graduação e o ambiente online onde vão estudar pelos próximos quatro anos. Em comum, têm o discurso de que, sem precisar ir à faculdade todo dia, finalmente conseguirão o diploma.
São 21 mulheres. Ana Paula Freitas, de 37 anos, começou a trabalhar aos 17, teve o primeiro filho aos 19. Disse que nunca pôde pagar uma faculdade. Funcionária do call center da TIM, aproveita o que chama "oportunidade única": a empresa vai bancar 80% da graduação. Dez dias após o início das aulas, Ana Paula disse que a vida de caloura não estava fácil. "Coloco a criançada (ela tem outros dois filhos, de 2 e de 7 anos) para dormir às 9 e meia, ligo o computador e estudo até meia-noite."
Ana Paula resume o perfil dos alunos de graduação a distância no País: são mais velhos, mais pobres e precisam ajudar no sustento da casa. Legítimos representantes da classe C, apostam na educação para melhorar de vida. E recorrem à EaD porque conseguem estudar nos horários mais oportunos, sem abrir mão do emprego ou do convívio com a família. A contrapartida: ser organizados e autônomos, já que dependem mais de si mesmos que dos professores para aprender.
O ensino a distância não é novidade no País. Já na década de 1930 eram oferecidos cursos profissionalizantes por rádio e correspondência. O Instituto Universal Brasileiro, criado em 1941, está no imaginário de gerações. Capacitou milhares de brasileiros em corte e costura e em eletrônica.
Enquanto em países como Inglaterra e Espanha, universidades de EaD nasceram já nos anos 1970, o ensino superior a distância ainda é adolescente no Brasil: seus fundamentos só surgiram em 1996, na Lei de Diretrizes e Bases. Mas o adolescente cresce rápido. O número de cursos de graduação saltou de 10, em 2000, para 930 em 2010, segundo o Ministério da Educação. A quantidade de alunos disparou, de 1,6 mil para 930 mil. Resultado: hoje 15% dos universitários estudam a distância.
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