2 de novembro de 2015

Notícias de minhas orientandas de Iniciação Científica

Nessas duas últimas semanas tive duas notícias bem legais, que me deixaram bastante animado e certo de que, enquanto professor, estou dando minha contribuição para o desenvolvimento das pessoas.
E as notícias têm com relação a duas pessoas muito queridas, que tive o privilégio de orientar na Iniciação Científica Júnior, para alunos do ensino médio: a Renathielly Fernanda da Silva e a Fanny Carvalho.
Encontrei a Renathielly Fernanda da Silva quando ela foi me fazer uma breve visita lá na universidade. Ela me disse que estava terminando o curso de Engenharia Civil em Cascavel. Tinha ido até a universidade para pegar cópia de certificado da IC para compor o currículo dela para processo seletivo de mestrado em Maringá. Quer ser professora. E descobriu isso durante a graduação, conforme me disse.
Fanny Carvalho eu havia encontrado tem uns dois anos em Maringá, quando me disse que estava fazendo - se bem me lembro - Arquitetura. Agora fico sabendo que alçou voo e está estudando nos Estados Unidos.
Sei que talvez minha contribuição na vida acadêmica delas tenha sido bem pequena, dado ao curto período que trabalhamos juntos. Mas me vejo um pouco na trajetória delas. E isso me deixa certo de que a docência é o caminho para o desenvolvimento das pessoas, em todas as suas nuances.

30 de outubro de 2015

O TCC do coelho


Num dia lindo e ensolarado o coelho saiu de sua toca, com o notebook, e pôs-se a trabalhar, bem concentrado. Pouco depois passou por ali uma raposa, e viu aquele suculento coelhinho tão distraído, que chegou a salivar. No entanto, ela ficou intrigada com a atividade do coelho e aproximou-se, curiosa:

– Coelhinho, o que você está fazendo aí, tão concentrado?

– Estou redigindo o meu TCC, disse o coelho, sem tirar os olhos do trabalho.

– Hummmm… e qual é o tema do seu TCC?

– Ah, é uma teoria provando que os coelhos são os verdadeiros predadores naturais das raposas.

A raposa ficou indignada:

– Ora!!! Isso é ridículo!!! Nós é que somos os predadores dos coelhos!

– Absolutamente! Venha comigo à minha toca que eu te mostro minha prova experimental.

O coelho e a raposa entram na toca. Poucos instantes depois se ouvem alguns ruídos indecifráveis, alguns poucos grunhidos e depois… silêncio. Em seguida o coelho volta, sozinho, e mais uma vez retoma aos trabalhos do seu TCC, como se nada tivesse acontecido.

Meia hora depois passa um lobo. Ao ver o apetitoso coelhinho tão distraído, agradece mentalmente à cadeia alimentar por estar com o seu jantar garantido. No entanto, o lobo também acha muito curioso um coelho trabalhando naquela concentração toda e resolve então saber do que se trata aquilo tudo, antes de devorar o coelhinho:

– Olá, jovem coelhinho. O que o faz trabalhar tão arduamente?

– Meu TCC, seu lobo. É uma teoria que venho desenvolvendo há algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os grandes predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos lobos.

O lobo não se conteve com a petulância do coelho:

– Ah! Ah! Ah! Ah! Coelhinho! Apetitoso coelhinho! Isto é um despropósito. Nós, os lobos, é que somos os genuínos predadores naturais dos coelhos. Aliás, chega de conversa…

– Desculpe-me, mas se você quiser, eu posso apresentar a minha prova experimental. Você gostaria de acompanhar-me à minha toca? O lobo não consegue acreditar na sua boa sorte. Ambos desaparecem toca adentro.

Alguns instantes depois ouvem-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e… silêncio.

Mais uma vez o coelho retorna sozinho, impassível e volta ao trabalho de redação de seu TCC, como se nada tivesse acontecido. Dentro da toca do coelho vê-se uma enorme pilha de ossos ensanguentados e pelancas de diversas ex-raposas e, ao lado desta, outra pilha ainda maior de ossos e restos mortais daquilo que um dia foram lobos.

Ao centro das duas pilhas de ossos, um enorme LEÃO, satisfeito, bem alimentado, palitando os dentes.

MORAL DA HISTÓRIA:

1. Não importa quão absurdo seja o tema de seu TCC;

2. Não importa se você não tem o mínimo fundamento científico;

3. Não importa se os seus experimentos nunca cheguem a provar sua teoria;

4. Não importa nem mesmo se suas idéias vão contra o mais óbvio dos conceitos lógicos;

5. O que importa é QUEM ESTÁ APOIANDO SEU TCC…

Fonte: adaptado do site POSGRADUANDO

6 de outubro de 2015

A felicidade da conquista na universidade ou quantos ainda valorizam os estudos universitários?

Como é bom conversar com alunos que ainda se empolgam com as conquistas que alcançam no decorrer do curso que fazem na universidade, não é? Hoje conversei com uma aluna especial... especial porque gosto muito dela. Gosto da atitude dela frente à vida. Mesmo quando está aborrecida com alguma coisa de seu trabalho ou da universidade, nunca se deixa abater. É daquelas pessoas que sempre estão com uma atitude positiva. Mas não aquela positividade besta que os "especialistas motivacionais" dizem que as pessoas devem ter. Uma positividade de quem sabe que a vida é maior que as pequenas adversidades e aborrecimentos que se colocam na nossa frente no dia a dia.

Pois bem, essa aluna me contou que hoje foi a banca de projetos de TCC dela. E que apesar de algumas correções sugeridas pela banca, a ideia do trabalho dela poderá seguir em frente. Estava bem animada, ainda mais porque disse que tinha assistido algumas bancas de colegas que tiveram bem mais correções em seus projetos que o dela. Partilhei um pouco da pequena comemoração pessoal dela e dei meus parabéns pela conquista alcançada.

O comportamento de felicidade pela conquista alcançada por essa aluna me faz pensar sobre o papel da educação e do ensino superior para a vida das pessoas. Não somente para a formação para o exercício de uma profissão. Ela é uma trabalhadora. "Rala" o dia inteiro em um trabalho pesado, braçal, que esgotaria qualquer um (como acho que esgota a ela também). Mas essa aluna persegue um sonho. Persevera, se dedica aos estudos dando a ele a prioridade possível dentro das suas condições. Sei que abre mão de muitas coisas na sua vida pessoal para dar conta das atividades do curso e da universidade. Mas não é um sonho de formação profissional apenas. É o sonho de poder melhorar enquanto ser humano, enquanto mãe, amiga, colega de trabalho e - também - do ponto de vista profissional e financeiro, claro.

São situações que a gente vive, singulares, singelas, que nos renovam a esperança...

4 de junho de 2014

Contabilidade e Estresse

Olá a todos…

Julgo interessante a matéria do link a seguir que relaciona a valorização do profissional de contabilidade e o nível de estresse. Vale ler…

 

Contadores à beira de um ataque de nervos

10 de abril de 2014

Estudantes em Extinção

Não tenho mais o costume de reproduzir textos aqui no blog. Normalmente teço meus comentários e opiniões sobre e a partir deles e posto o link para acessá-los. Mas julgo que o texto abaixo, do Thomaz Wood Jr., traz importante reflexão sobre o ensino e os estudantes/alunos.

Vale ler.

 

Procuram-se estudantes

Além do mico-leão-dourado e do lobo-guará, outro mamífero tropical parece caminhar para a extinção

por Thomaz Wood Jr. — publicado no site da Revista Carta Capital em 10/04/2014 04:52

Diz-se que uma espécie encontra-se ameaçada quando a população decresce a ponto de situá-la em condição de extinção. Tal processo é fruto da exploração econômica e do desenvolvimento material, e atinge aves e mamíferos em todo o planeta. Nos trópicos, esse pode ser o caso dos estudantes. Curiosamente, enquanto a população de alunos aumenta, a de estudantes parece diminuir. Paradoxo? Parece, mas talvez não seja.

Aluno é aquele que atende regularmente a um curso, de qualquer nível, duração ou especialidade, com a suposta finalidade de adquirir conhecimento ou ter direito a um título. Já o estudante é um ser autônomo, que busca uma nova competência e pretende exercê-la, para o seu benefício e da sociedade. O aluno recebe. O estudante busca. Quando o sistema funciona, todos os alunos tendem a se tornar estudantes. Quando o sistema falha, eles se divorciam. É o que parece ocorrer entre nós: enquanto o número de alunos nos ensinos fundamental, médio e superior cresce, assombram-nos sinais do desaparecimento de estudantes entre as massas discentes.

Alguns grupos de estudantes sobrevivem, aqui e acolá, preservados em escolas movidas por nobres ideais e boas práticas, verdadeiros santuários ecológicos. Sabe-se da existência de tais grupos nos mais diversos recantos do planeta: na Coreia do Sul, na Finlândia e até mesmo no Piauí. Entretanto, no mais das vezes, o que se veem são alunos, a agir como espectadores passivos de um processo no qual deveriam atuar como protagonistas, como agentes do aprendizado e do próprio destino.

Alunos entram e saem da sala de aula em bandos malemolentes, sentam-se nas carteiras escolares como no sofá de suas casas, diante da tevê, a aguardar que o show tenha início. Após 20 minutos, se tanto, vêm o tédio e o sono. Incapazes de se concentrar, eles espreguiçam e bocejam. Então, recorrem ao iPhone, à internet e às mídias sociais. Mergulhados nos fragmentos comunicativos do penico digital, lambuzam-se de interrogações, exclamações e interjeições. Ali o mundo gira e o tempo voa. Saem de cena deduções matemáticas, descobertas científicas, fatos históricos e o que mais o plantonista da lousa estiver recitando. Ocupam seu lugar o resultado do futebol, o programa de quinta-feira e a praia do fim de semana.

As razões para o aumento do número de alunos são conhecidas: a expansão dos ensinos fundamental, médio e superior, ocorrida aos trancos e barrancos, nas últimas décadas. A qualidade caminhando trôpega, na sombra da quantidade. Já o processo de extinção dos estudantes suscita muitas especulações e poucas certezas. Colegas professores, frustrados e desanimados, apontam para o espírito da época: para eles, o desaparecimento dos estudantes seria o fruto amargo de uma sociedade doente, que festeja o consumismo e o prazer raso e imediato, que despreza o conhecimento e celebra a ignorância, e que prefere a imagem à substância.

Especialistas de índole crítica advogam que os estudantes estão em extinção porque a própria escola tornou-se anacrônica, tentando ainda domesticar um público do século XXI com métodos e conteúdos do século XIX. Múltiplos grupos de interesse, em ação na educação e cercanias, garantem a fossilização, resistindo a mudanças, por ideologia de outra era ou pura preguiça. Aqui e acolá, disfarçam o conservadorismo com aulas-shows, tablets e pedagogia pop. Mudam para que tudo fique como está.

Outros observadores apontam um fenômeno que pode ser causa-raiz do processo de extinção dos estudantes: trata-se da dificuldade que os jovens de hoje enfrentam para amadurecer e desenvolver-se intelectualmente. A permissividade criou uma geração mimada, infantilizada e egocêntrica, incapaz de sair da própria pele e de transcender o próprio umbigo. São crianças eternas, a tomarem o mundo ao redor como extensão delas próprias, que não conseguem perceber o outro, mergulhar em outros sistemas de pensamento e articular novas ideias. Repetem clichês. Tomam como argumentos o que copiam e colam de entradas da Wikipédia e do que mais encontram nas primeiras linhas do Google. E criticam seus mestres, incapazes de diverti-los e de fazê-los se sentir bem com eles próprios. Aprender cansa. Pensar dói.